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SILVINO JACQUES

                                              



O afilhado de Getulio Vargas que marcou uma Época

Matérias

  

(I) "Meu nome eu nunca neguei

      E não pretendo negar

      Me chamo Sylvino Jacques

      E nunca procuro o mal

      Ele é quem me procura

      E sempre há de me encontrar(1) 

 

(1) Estrofe da décima gaúcha de Silvino Jacques, registrada por Theodorico de Góes Falcão in CRÔNICAS HISTÓRICAS DO MUNICÍPIO DEBONITO, p.15.


 

 (II) Em 1929, com 23 anos, cometeu seu primeiro crime, ainda no Rio

Grande do Sul(2), episódio contado pelo próprio Silvino Jacques em trovas, como segue:

.

Eu e Prudente Dornelas

e meu tio José Santana

fomos tomar cerveja

na casa de gente mundana

Mas isto na maior paz

pois a sorte sempre engana

 

Eu disse a meus amigos

mas isso de brincadeira

que no forro daquele prédio

ia abrir-se uma goteira

Mas depois do furo aberto,

aí que foi a porqueira

 

Logo veio a policia

e a patrulha militar

com modo tão agressivos

Que eu não pude aturar

Nisto recebi um tiro

Fui obrigado atirar?(3)

 

(2) Capitão Sylvino Erminio Jacques. Façanha do gaúcho predestinado,

in jornal Folha de Bonito, ed. especial, 2-17.10.1979 

(3) Décimas Gaúchas de Silvino Jacques (de sua própria autoria)




(IV) Silvino Jacques e Argemiro Leão receberam um contato do Rio, um alemão de nome Agrícola. Era um elemento de ligação dos comunistas. Silvino começou arrebanhar homens armados, entre eles eu e Alcides, para

atacar Porto Murtinho. Segundo Silvino Jacques a missão era dividir o Estado. Chegaram a fazer prisioneiros num lugar chamado Recreio. Nesse momento chegou ao acampamento esse Agrícola. Depois ficamos sabendo que veio avisar do fracasso da intentona. Silvino matou esse Agrícola.(4)  



4) Depoimento de Orsirio dos Santos(Foto à Esquerda), Bela Vista, 10.11.1979. Esse mesmo relato foi confirmado no depoimento de Alcides Fernandes da Silva, Bela Vista,10.11.1979. Segundo Gregório Bezerra ?em Mato Grosso, desenvolveu-se uma luta guerrilheira, comandada por Silvino Jacques, que conseguiu resistir durante vários meses, graças à sua mobilidade. Ver BEZERRA, Gregório, Memórias, 2.a parte, 1946-1969. Rio de Janeiro, Civ. Bras., 1980, p. 226.

 

   



                    

(V) Em 1932, já em Mato Grosso, lutou ao lado das forças governistas na região de Porto Murtinho, como capitão da brigada militar e, posteriormente, dedicou-se às atividades comerciais. No entanto, no ano seguinte foram solicitadas providências necessárias no sentido de serem presos e extraditados os indivíduos Silvino Jacques e Argemiro Leão, pronunciados pelas justiças da comarca de Ponta Porã, por terem assassinado Candido Barbosa Pratt, e refugiado-se no Paraguai.(5)

 

(5) Of. reservado do Ministério da Justiça e Negócios Internos ao Interventor

Federal de Mato Grosso, Rio de Janeiro, 2 de agosto de 1933, Cx. 1933 ArMT. 

                                         


                                                        

 VI) Os fatos relacionados com a participaçãode Elódia(mulher de Silvino) no bando de Silvino Jacques estão descritos no Jornal do Comércio, Campo Grande, de 12.1.1939.

                   

Comentário: Elódia vive em São Paulo atualmente. Hoje com mais de 90 anos de idade, ainda preserva lucidamente as lembranças daqueles dias que mudaram sua vida por completo. (Out, 2014). O filho que teve com Silvino, Euclides Charão Jacques, faleceu em São Paulo em 1987, vítima de um acidente de moto. Ele deixou 4 filhos, Gerson, Soraya, Nina e Luciene.

 

 

 

(VII) O combate sistemático ao bando de Silvino Jacques correspondeu ao período de desarmamento no sul de Mato Grosso. A repressão ao bando foi conduzida, inicialmente, por forças militares. Assim, o Sr. General comandante da Região tem tido vários oferecimentos de fazendeiros, de homens armados por eles próprios e custeados para combate aos bandoleiros, porém sua Excia. tem recusado sistematicamente, não desejando que a população faça quaisquer gastos ou sacrifique uma só vida nessa campanha. Entretanto, não houve nenhum combate entre o bando e as forças do exército, o que até certo ponto confirmou a falta de interesse dos militares num confronto direto com os bandidos. A maior preocupação do exército no estado mato-grossense, voltou-se para a questão do desarmamento em toda zona rural e urbana.(7)

 

































                                                                                                                                                                                                                                                      (7) Jornal do Comércio, Campo Grande, 25.12.1938.



 

(VIII) Posteriormente, foi designado como delegado especial para o combate ao bando de Silvino Jacques o Dr. Manoel Bonifácio Nunes da Cunha. Decidido o Estado a pôr termo aquela situação anormal, organizou a Delegacia Especial do Sul, com sede em Aquidauana. Auxiliada por dois grupos de civis contratados e pelo pelotão de Cavalaria da Força Policial, a Delegacia iniciou forte ação contra Silvino Jacques e seu bando, em abril de 1939 (8). 



(8) Relatório apresentado ao Exmo. Sr. Dr. Getúlio Vargas, Presidente da República, pelo Bel. Julio Stübling Müller, interventor federal de Mato Grosso, 1939-1940.

(IX) Duas capturas foram então organizadas para a perseguição ao bando de Silvino, uma sob o comando do tenente Rodrigo Peixoto e outro de Orsirio Santos. De acordo com o plano de operações contra os bandoleiros, a Captura comandada por Orsirio Santos marchou, no dia 18 do corrente, á noite, de Margarida para a Fazenda Triunfo, propriedade de Severino de Toledo. No dia 19 do corrente, à tarde, a Captura de Orsirio Santos encontrou o bando de Silvino Jacques na envernadinha do Triunfo, perto do ribeirão Prata, abrindo fogo contra o bando, o qual fugiu para o lado da Fazenda Aurora, sendo perseguido pela Captura, debaixo de intensa fusilaria da mesma, num percurso de 9 quilômetros. Ao chegar ao córrego Aurora, o bando se entrincheirou na barranca do mesmo. A captura tentou desaloja-lo, sendo nesse momento (atingido) o destemido metralhador Horacio Santos e machucado, em virtude de queda do seu cavalo, o sargento Héron Alves, subcomandante da Captura. Como a Captura se compunha apenas de 11 homens, foi ela obrigada a retroceder, afim de sepultar o metralhador e prestar os socorros de que necessitava o Sargento Héron, que se portou no combate com inexcedível bravura, segundo informa o comandante da Captura. Depois de remuniciada e de conduzir a Bela Vista o Sargento Héron, a captura voltou a operar e fazendo, a 24 do corrente, o reconhecimento do local do combate, encontrou o cadáver de Silvino Jacques, chefe dos bandoleiros. O cadáver foi encontrado numa rede armada na costa do córrego Aurora, coberto por um Puitan. O cadáver de Silvino Jacques apresentava três ferimentos produzidos por bala de fuzil: um no braço direito (da direita para a esquerda), outro na região illiaca (da direita para a esquerda, atravessando a bacia), e outro na perna direita (direita para a esquerda, atravessando a perna). Foram encontrados vestígios de curativos feitos nos ferimentos, sendo que do ultimo ainda estavam no cadáver as ataduras. Perto do cadáver e na costa do dito córrego, a Captura apreendeu uma piripipi, dois mosquetões, dois bornais de munição de Mauzer e cinco cavalos arreiados. Foram também encontrados os arreios do uso de Silvino Jacques, apresentando furos das balas que atingiram Silvino, na perna e da cadeira.(9)

(9) Foi identificado o cadáver do famoso bandoleiro Sylvino Jacques. A eficiente campanha de repressão aos cangaceiros, in Jornal do Comércio, Campo Grande, 30.5.1939.

 

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